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Intensão sem Intenção?

 


O jogo de futebol evolui e com ele os seus principais atores também têm de se adaptar. Há por isso uma adaptação constante de todos os elementos integrados. Os jogos são cada vez mais intensos, basta analisar alguns dados estatísticos ao longo dos anos e ver que cada posição do terreno teve uma evolução no número de ações com e sem bola. O jogo ganhou mais atletas por m2 de relvado e isso traz impactos; na prática o campo "diminui" e condiciona o resto, alterando exigências e entendimentos com maior ocupação de espaço em menor tempo, cada ação precisa ser mais rápida. Não quer dizer com isso que “agora é que é bom”, mas apenas que todos os jogadores, independentemente da posição que ocupam no campo, têm de estar mais preparados a todos os níveis (físico, tático, técnico, mental).

Intenção e intensão são palavras homófonas, (apresentam a mesma fonética), mas com escritas e significados diferentes. Numa busca a um dicionário permite entender o significado de cada uma das palavras:

- Intenção significa «propósito ou intento»

- Intensão quer dizer, entre outros sentidos, «intensidade»


Nesse sentido é importante a forma como, definimos “intensidade” no jogo de futebol pois, a intensidade vai muito para além das capacidades físicas que um atleta deve alcançar e isso deve originar uma visão diferente para o treino.

 


Observamos que no futebol moderno para estarmos a um bom nível apela-se e acha-se necessário treinar com intensidade! A Intensidade! Repetidamente se ouve no mundo do futebol (e do desporto profissional, em geral).

Intensidade! Intensidade! …E a intenção? Na minha opinião ao nível do treino o que se passa muitas vezes é a procura de exercícios onde exista uma intensidade bastante alta e se possível ainda mais alta do que a do próprio jogo. O problema é que com alguns desses exercícios deixamos de treinar intenções para ter a tal intensidade, ou seja, deixamos de colocar as nossas ideias no exercício e deixamos a parte tática de lado para treinar o exercício e não treinar o jogo que queremos e que devemos transmitir aos jogadores.

Respeito as diferentes ideias e formas de trabalhar, mas parece-me que treinar intensidade sem intenção será por vezes desajustado ao contexto e consequentemente irá tirar o melhor “transfer” do treino para aplicar no dia de jogo.




A intensidade é muito mais do que apenas as capacidades físicas e acredito que as intensões (a componente tática) podem e devem ser trabalhas em conjunto, como um todo.

Aceito o “joga-se como se treina” ou “treina-se como se joga” e para isso cabe a nós treinadores planear de acordo com isso.

As nossas ideias, como treinadores e como queremos jogar, tem de ser o ponto de partida e a partir dessa base, criar/recriar problemas e soluções no treino, que vão aparecer no dia de jogo. Como refere o Prof. Castelo, o modelo de jogo assume-se como o mapa que orienta o processo de treino das equipas numa direção específica, potenciando o desenvolvimento de atitudes e traços comportamentais, através dos quais induzem os jogadores à forma de jogar pretendida.

Assim sendo a intensidade e a intenção são processos importantes a ter em conta no jogo de futebol. Porque não podemos somar o melhor dos dois?

Para vocês será melhor primeiro treinar a intenção e depois colocar intensidade ou treinar com intensidade e depois procurar melhorar as intenções?

O que se faz com intenção, mas sem intensidade? O que faz a intensidade, mas sem intenção no jogo?



RUI GOMES

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