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Vens ao Treino ou para o Treino?


                Nos tempos que decorrem e com a mudança forte que se tem feito sentir na nossa sociedade, longe vão os valores de perseverança e de capacidade de trabalho. Recordo por isso uma pergunta que constantemente ouvia por parte dos mais velhos “Vens ao Treino ou para o Treino?”, que sempre me ficou na memória e que rapidamente nos fazia perceber para o que estávamos ali reunidos, treinar.

Novas Tecnologias no Futebol

As novas tecnologias permitem levar a cabo a frase popular “uma imagem vale mais que mil palavras” e proporcionar à nossa equipa informação relevante de como temos que desenvolver o nosso jogo.


    As novas tecnologias estão associadas ao uso de computadores e à utilização de informação mediante computadores e sistemas computorizados. Portanto, podemos dizer que as novas tecnologias são aquelas ferramentas que nos permite, mediante o uso de inteligências artificiais, desenvolver aquelas funções que queremos levar a cabo de uma forma más eficiente e produtiva.

    Dentro das novas tecnologias, já centradas na parte da análise, encontramos 2 grandes grupos de classificação. Por um lado, temos aquelas que têm uma base informática e por outro as que se fundamenta o seu desenvolvimento com base a imagens ou vídeo (Sánchez, 2015).

    No 1º grupo, podemos identificar as bases de dados, de onde podemos ter um conjunto de ficheiros de vídeo e de dados estatísticos relevantes ao seu desempenho técnico-tático. No 2º grupo, podemos identificar as aplicações tecnológicas que nos permitem desenvolver a análise do nosso conteúdo para poder ter um resultado mais realista dos comportamentos, e sobretudo, oferecer aos nossos jogadores a informação mais relevante da forma mais eficiente tendo em conta o seu entendimento (Sánchez, 2015).

    Sánchez (2015), classifica as plataformas e softwares segundo a sua aplicação e função que proporcionam aos clubes, departamentos de análise e equipas técnicas. Estão agrupados em:

Plataformas Profissionais:
1.       Wyscout
É a plataforma mais antiga e com maior experiência no mercado, é de origem italiana e tem presença em muitos países e é considerada umas das ferramentas mais poderosas na análise técnico-tática de equipas e jogadores. Tem informação necessária e muito completa de todos os jogos, ligas, assim como sub20 e sub18. Possui uma base de dados de vídeos, onde dispomos de jogos, estatísticas e analises de rendimento, mas de distribuição, relatórios, resultados, ferramentas de edição para analisar os jogos, etc.
2.       InStat Football
 Um dos softwares mais completos do mercado, sendo que oferece uma base de jogos em formato de vídeo de todas as competições e relatórios baseados em métodos analíticos de modo a ajudar os treinadores a analisar o seu próximo adversário. Contam com uma variedade de produtos que vão desde o scout, editor de vídeo, análise táctica-técnica.
3.       Prozone
É uma plataforma de análise, onde oferece um conjunto de dados da própria equipa e do rival. A informação é disposta através de formatos vídeo, dados, animações de campo, gráficos.

Plataformas “Big Data”
1.       Opta
Plataforma que se dedica a apresentar dados, onde conta através dos seus analistas, a análise através de diferentes parâmetros mediante os algoritmos
2.       E4Talent
Empresa Dinamarquesa, onde realiza um tipo de trabalho semelhante à Opta.
3.       MediaCoach
Ferramenta utilizada nos campeonatos espanhóis, e permite aos clubes ter uma análise de vídeo com dados físicos e táticos.

Softwares de Análise
1.       ER1C
Ferramenta utilizada no departamento de análise do Barcelona, sendo que reúne todas as ferramentas necessárias para análise e estudo de estatísticas em só uma ferramenta.
2.       VideObserver
É uma das poucas plataformas que permite trabalhar simultaneamente as componentes de estatística individual, análise colética e quantitativa e por sua vez correlacionar ambas com a visualização de vídeo e a reprodução rápida das listas de reprodução e relatórios.
3.       Darfish
Produz informação de maneira instantânea fazendo uso da análise de vídeo. Contém muitos dados para os treinadores onde se pode desenvolver relatórios estatísticos. Utiliza etiquetas que servem para se dividir o jogo.
4.       SportsCode
Um dos principais programas de análise e Scouting. Permite aceder à informação de forma rápida e simples e pode-se cortar os vídeos mediante o teclado.
5.       Nacsport
O programa proporciona dado objetivos do rendimento tanto quantitativos como qualitativos. Permite comparar diferente ações que se desenvolvem no jogo. Permite a criação de comandos de análise dos partidos.

Softwares Amadores de Análise
1.       LongoMatch
Programa de utilização gratuita, que permite realizar os cortes de vídeo, observação em direto, cortes de imagens e animações.
   
Programas de Gestão Desportiva
1.       ProCloud11
Possibilidade de estruturar uma época completa de treinos, desenhas os microciclos e sessões de treino, tarefas e outros eventos assim como a criação de relatórios de análise da própria equipa e do adversário.

Cada uma delas possuiu características especiais que são dotadas de um poder amplo a nível da informação, capacidade de gestão e rentabilidade de tempo. Sem dúvida que o tempo é a maior preocupação, que graças a estas novas tecnologias, dispõem uma maior quantidade de dados e imagens que fazem ter uma visão mais objetiva do Futebol. Contudo, pode-se acrescentar a este leque: os sistemas de câmaras (e.g. Provispo e o Pixellot) e os programas de apresentação (e.g. Chyron Ego (Coach Paint); Piero).

    Outro aspeto da inovação tecnológica no Futebol, permite ao treinador poder otimizar a sua ação técnica e tática juntos dos seus jogadores. Neste contexto, os clubes têm procurado criar infraestruturas nos seus centros de treino que permitam uma análise no momento, como é o exemplo do Hoffenheim. Nagelsmann pediu ao clube que instalasse no centro de treinos um ecrã gigante que reproduz o treino em tempo real. Assim, e também em tempo real, o jovem técnico, através do seu iPad, consegue parar as imagens, corrigir aspetos táticos em plena sessão de trabalho, conseguindo, assim, de forma inequívoca, explicar aos jogadores os processos desejáveis para a equipa (in jornal Abola).


        “Se o sistema der certo, nós podemos deixar os jogadores em suas posições durante a maioria dos treinos de situações de jogo, ainda mostrando soluções em tempo real.  Quando eu paro uma cena, tenho a oportunidade para desenhar minhas soluções e sugerir as melhorias, tudo através do iPad”, afirmou Nagelsmann, em entrevista ao site oficial do clube. Nos tempos em que era auxiliar de Thomas Tuchel no Augsburg, o prodígio treinador trabalhava justamente como analista de vídeo. O desenvolvimento do conceito do Videowall foi feito em parceria com Raffael Hoffner, coordenador do setor de inovação tecnológica do Hoffenheim.

    Estes programas/softwares permitem otimizar o processo de observação e análise de jogo, apoiando o processo de treino, tendo em conta o objetivo de melhorar o rendimento das equipas e dos jogadores.

    O resultado da evolução tecnológica fez com que crescesse um número significativo de softwares que atualmente estão à mercê dos clubes com capacidade económica para os adquirirem. Para além disso, já não basta que os clubes adquirem o produto, mas sim de pessoas especializadas, capazes de trabalhar com este tipo de ferramentas em tempo útil, algo que aumenta o raio de ação destes profissionais.

    As “máquinas”, todavia, não ganham por si mesmo os jogos entre as equipas e são as pessoas que fazem a balança entre uma e outra. Mas é certo que a aplicação adequada das novas tecnologias supõe um aspeto mais diferencial entre duas equipas, como faz o treino “invisível”, os hábitos saudáveis, a alimentação adequada, o treino “mental”, a recuperação, treino específico e muitos outros aspetos que cada vez têm maior implementação dentro do mundo do Futebol. 

    Conhecer o adversário e a nossa equipa, é um aspeto que cada vez mais as novas tecnologias adquirem maior importância no sentido que permitem levar a cabo o trabalho de “espionagem”, análise, mais profundo e preciso.

Ricardo Alves


A Crise do Sporting – O Que Foi e o Que Podia Ter Sido – Parte 2


                Através de várias perspetivas foi ontem analisada a Crise do Sporting e faltou analisar uma perspetiva, a do Treinador. Com a sua “bagagem” parecia claro que Jorge Jesus nunca aceitaria ir a jogo com a equipa B. A dada altura deixou-o bem claro ao seu presidente Bruno de Carvalho e mais tarde na flash-interview depois do apito final do jogo frente ao Paços de Ferreira. Só por isto se evitou um escândalo global.

A Crise do Sporting – O Que Foi e o Que Podia Ter Sido – Parte 1


                O que foi, hoje, e o que podia ter sido amanhã. Uma análise dos eventos da surreal crise no Sporting Clube de Portugal feita através de várias perspetivas. Desde quinta-feira, dia que marcava a visita do Sporting ao Wanda Metropolitano, estádio onde joga o Atlético de Simeone, uma das equipas mais fortes do Futebol, que quase hora após hora temos novidades em relação a esta crise, ora com posts de Bruno de Carvalho, todos eles candidatos a um Top de surrealidade, ora um comunicado do plantel do Sporting, ora reações a esta crise por elementos também eles ligados à vida do Sporting.

Da Observação e Análise do Jogo da Equipa Adversária à Modelação e Prescrição do Treino - Um Jogo de Perguntas e Respostas: Organização Ofensiva

“A formulação de um problema é muito mais importante do que a sua solução” (Albert Einstein)

O jogo de Futebol é caracterizado pela complexidade de relações criadas durante o mesmo, de oposição e de cooperação, que decorrem dos objetivos dos jogadores e das equipas, assim como do conhecimento que possuem do jogo, de si próprios e dos adversários. Com isto, é importante salientar, que hoje o jogador deve ser dotado de determinados mecanismos percetivos, devendo ser o mais eficaz e eficiente possível na sua tomada de decisão. Possuindo um reportório de grande variabilidade de resoluções táticas que permita resolver problemas provocados pelo jogo, tendo como suporte uma elevada capacidade técnica para dar resposta às soluções encontradas a esses mesmos problemas (o que fazer/ porque fazer/ quando fazer/ como fazer). Ademais, o jogador deve procurar aumentar a sua assertividade ao processar informação face as variáveis do jogo. Por último, e não menos importante, a elevada complexidade do jogo exige que o jogador seja capaz de se adaptar e antecipar diferentes problemas consequentes da imprevisibilidade que o jogo proporciona. Para isto, e cada vez mais, a observação e análise de jogo é fundamental no dia-a-dia das equipas técnicas, quer seja com uma funcionalidade departamental ou individual, mediante recursos disponíveis. Torna-se imperativo nas equipas de primeira linha, a presença de um departamento que permita aos especialistas efetuar uma observação e uma análise multidimensional do jogo e avaliar o comportamento competitivo das equipas e dos jogadores durante os jogos, que permita concretizar e caracterizar as exigências específicas que são impostas aos mesmos. Portanto, os analistas são parte fundamental de um processo que tem como finalidade a otimização do rendimento da equipa tendo como ponto de partida quer a observação e análise da própria equipa quer da equipa adversária.

Liverpool x Man.City: Triunfou o vertical e eficaz!


Mais uma partida de Champions League desta vez em Anfield, onde o Liverpool conseguiu uma vitória importantíssima para uma possível passagem às meias-finais. Antes da bola rolar a maioria dos adeptos de futebol atribuíam o favoritismo à equipa do Man.City não só pelo futebol que tem apresentado mas também pela sua classificação na Premier League, com quase 20 pontos de avanço sobre o Liverpool.

Ambas as equipas com sistemas idênticos Liverpool em 4-3-3 e Man.City em 4-2-3-1.

O Liverpool levava a lição bem estudada pois conseguiu desde cedo bloquear o portador de bola do City e também "cortar" as várias linhas de passe, obrigando o adversário a jogar para trás. A equipa da casa jogava praticamente sempre atrás da linha da bola e tentava recuperá—la para poder em transições rápidas criar perigo. A equipa do Man. City sempre com mais posse de bola, mas sem conseguir criar grandes oportunidades de golo.

Por volta dos 10 minutos de jogo, o Man. City marca canto de forma curta e perde de bola, com poucos toques o Liverpool chega à zona de finalização num contra-ataque rápido com Salah e Firmino na jogada mas é o Egípcio que acaba mesmo por iniciar a progressão e finalizar com passe do Brasileiro. Festa em Anfield com o 1-0!

O City pressionava à saída e obrigava o Liverpool a jogar longo para ganhar a primeira bola e depois colocar a bola no chão iniciando assim as suas combinações. 


Perto dos 20 minutos e depois de mais uma transição o Liverpool consegue desorganizar a equipa do City e fazer o 2-0. Vários jogadores saem no portador de bola e deixaram espaço na “zona 6” (demasiado desprotegida), mérito para Oxlade-Chamberlain que faz um grande golo, mas deveria ter sido mais condicionado na altura que lhe chega a bola. Tanto Fernandinho como Bruyne muito chegados ao lado da bola e Sané poderia ter fechado mais por dentro.

Depois de fazer o 2-0 o Liverpool ganhou ainda mais confiança que estaria a usar a melhor estratégia para esta partida. Algumas vezes em bloco médio-baixo e onde se pode destacar o posicionamento dos 3 homens da frente, sempre a auxiliar e solidários também na altura de defender.

A equipa do Liverpool sempre pronta para as transições onde apostava na velocidade dos homens da frente para usar o espaço nas costas da defesa do Man.City. Destacou-se o GR Ederson que controlou bem essa profundidade.  
   
O City sentia-se bem com bola, mesmo quando pressionados, optavam por sair na 1ªfase de construção numa disposição de 3-2-4-1. Aproveitando a largura do Sané na esquerda e do Walker na direita, no meio (nas costas dos 3 avançados do Liverpool) baixavam Bruyne e Fernandinho para auxiliar a construção e para ligar o jogo.


Aos 30 minutos de jogo Anfield Road entra em loucura com o 3-0! Uso da largura de Salah e mais uma vez a auxiliar a equipa com um excelente cruzamento para a cabeça de Mané. Futebol prático e objetivo do Liverpool a dar resultado nesta partida. 


Nesta imagem (aos 38 minutos) consegue-se observar bem o que aconteceu em quase toda partida, Liverpool a ir baixando a equipa e a colocar vários jogadores junto ao portador da bola. A equipa da casa por vezes defendia em 4-1-4-1.
Na restante primeira parte o Man.City tentou procurar espaços circulando a bola, mas nunca foi eficaz dada a boa organização do adversário e alguma falta de objectividade. O Liverpool acaba até por criar mais ocasiões antes da ida para os balneários.

Desde o início da segunda parte que se notou que ambas as equipas não iam alterar as suas estratégias definidas para o jogo.
Liverpool não esperava o adversário no meio campo, procurava condicionar logo à saída, caso o City conseguisse sair da primeira zona de pressão então aí iam baixando em bloco.

O Man.City demorou a perceber que usando diagonais na largura para a velocidade dos seus extremos que conseguiria desorganizar a equipa da casa e criaria mais oportunidades no último terço.  A segunda parte quase não tem história pois foi idêntica à primeira em alguns aspectos. City ainda melhor e com mais posse mas uma equipa que não faz qualquer remate enquadrado à baliza durante toda a partida terá que repensar noutras soluções se quer dar a volta ao resultado no Etihad Stadium.

Na minha opinião ganhou a equipa que foi mais solidária a defender e vertical e eficaz a atacar … e na verdade são os golos que realmente contam para conseguir passar à próxima fase! A eliminatória ainda não está definida, veremos o que acontece na segunda mão. 


Rui Gomes


Os Verdadeiros Milagres no Futebol


Quantas vezes ouvimos que o Treinador A operou um verdadeiro milagre ao salvar a sua equipa de uma descida de divisão? Ou que que determinada equipa alcançou um pequeno milagre ao conseguir vencer, com um orçamento cem mil vezes inferior, uma equipa candidata a todos os títulos no seu país? Muitas, não?
Mas será mesmo assim? Serão esses os grandes milagres do Futebol? Pessoalmente não os considero como tal. Antes pelo contrário. Não vejo nada de extraordinário nesses feitos, especialmente se atentarmos ao conteúdo normalmente associado aos mesmos. Ou seja, se percebermos como os mesmo são alcançados.
Porque, a meu ver, os verdadeiros milagres são outros. Porque, a meu ver, um milagre em Futebol é algo contínuo e sustentado e não esporádico e ocasional. Pode parecer paradoxal, mas espero conseguir mostrar o que me vai na alma e na mente. Como tal, tenho de vos perguntar novamente: Alguma vez pensaram acerca dos verdadeiros milagres que acontecem no Futebol, seja ele Amador ou Profissional, de Formação ou Sénior?

A Chicotada Psicológica de Carvalhal


É sempre bom quando um dos nossos tem sucesso e consegue deixar a sua marca, ainda para mais, na liga mais competitiva do mundo do Futebol, a Liga Inglesa. E, já é seguro dizermos que Carlos Carvalhal deixou a sua marca, quer no Championship (referente à Segunda Divisão inglesa) ao serviço do Sheffield Wednesday, quer agora na Premier League, tirando um aflito Swansea City da lanterna vermelha até à tona de água (acima dos lugares de despromoção).