A Formação dos 3 Grandes


 São tempos estranhos os que vivemos, tempos diferentes que nos desafiam enquanto sociedade. São tempos que nos obrigam a procurar novas estratégias para nos mantermos psicologicamente estáveis, que nos retiram a presença dos que mais gostamos, do que mais gostamos de fazer. Respondendo a tudo isto, o Futebol Apoiado entendeu através da sua página no Facebook dar um pouco de futebol aos seus seguidores nestes tempos em que a bola não rola.
               Durante a emissão surgiu uma questão em relação à possibilidade de SL Benfica, FC Porto e Sporting CP recorrerem à sua formação para colmatarem os problemas na composição dos seus planteis, problemas que serão consequência desta pandemia que nos afetou a todos.
                Para responder precisamos atentar àquilo que tem sido a formação destes clubes e como os seus atletas têm sido utilizados nos últimos anos. Todos sabemos que um jovem jogador vai errar mais que um atleta experiente. Sabemos que pela falta de experiência, apesar de este jogador, garantir sempre qualidade e talento, tem tendência a falhar sobretudo em momentos chave do jogo ou da temporada. Também sabemos que os resultados no futebol profissional são altamente cobrados e que não há lugar a falhanços.
            No caso do Sporting, temos uma formação que está a anos-luz dos tempos de Ricardo Quaresma, Cristiano Ronaldo, João Moutinho, Luís Figo, entre muitos outros. Rafael Leão e Daniel Podence que são dois grandes jogadores que fugiram ao clube após o ataque de Alcochete. Temos ainda Miguel Luís e Jovane Cabral ainda não corresponderam às expectativas e Max está a ser aposta, mostrando qualidade e, por vezes, cometendo erros. Os tais erros, que em caso de luta por títulos nunca poderia ocorrer. Perante os atuais objetivos de época do Sporting compreendo a utilização de Max. 
                Com efeito, referi na emissão que se um dos três grandes não pode pensar em apostar na sua formação é mesmo o Sporting. Pela simples razão de não ter uma equipa na segunda divisão, pois está incapaz de oferecer aos seus jovens talentos uma realidade competitiva que lhes permita evoluir e estarem devidamente preparados para a exigência da primeira liga. Não por não ter qualidade nos seus escalões inferiores pois, sabemos que existe Joelson Fernandes, Rodrigo Fernandes, Bruno Tavares, entre outros. Simplesmente nunca se conseguirão preparar, ou terão uma preparação bem mais demorada, a atingir o nível necessário para serem apostas.


                No caso do FC Porto, que tem formado excelentes futebolistas durante os últimos anos, dá a ideia que esta ferramenta serve apenas para conseguir magníficos negócios para as contas do clube, mas a aposta nestes atletas parece ficar sempre aquém daquilo que eles podem dar em termos de rendimento, senão vejamos: Rúben Neves, André Silva e Gonçalo Paciência são como disse, fantásticos futebolistas. Ainda assim, saíram da Invicta sem vincarem a sua qualidade na equipa profissional e, hoje poderiam inclusive render mais milhões do que renderam na altura. Nestes dias temos sido bombardeados por notícias que dão a saída de Diogo Leite como certa para o Valência. Quando passarão estes atletas a serem figuras incontornáveis do 11 do FC Porto? Os poucos títulos vencidos nos últimos anos justificam esta parca utilização?
                No caso do Benfica, estaremos a olhar para o caso de maior sucesso no que à formação diz respeito nos últimos anos. João Félix foi o apogeu desse sucesso, e casos como Gedson Fernandes e Florentino, entretanto preteridos por Bruno Lage são também jogadores de muita qualidade. A sensação que dá ultimamente é que os atletas têm sido lançados demasiado cedo e em jogos de demasiada exigência, sobretudo na Champions League, o que não tem grande cabimento pois, nunca se começa a construção de uma casa pelo telhado. Os casos de Tomás Tavares e Nuno Tavares são casos de dois jogadores de extrema qualidade que parecem ter sido lançados aos lobos demasiado cedo e, num jovem jogador, apesar da exigência e da pressão por parte dos adeptos não ser tão elevada, sabemos que a confiança pode ser a chave para o sucesso. Muito mais preponderante esta questão do que propriamente num caso de um jogador experiente que sabe facilmente reagir a situações menos boas.
                O clube que no futuro imediato terá mais sucesso será aquele que responder melhor a esta crise e a formação pode e deverá ser uma ferramenta capaz de responder às necessidades. Sabemos que nos três grandes há jogadores com qualidade para serem aposta, mas quais serão os jogadores melhor preparados? E qual dos três grandes terá mais sucesso nesta aposta? Vamos ficar bem, e a bola vai rolar!


Pedro Cardoso

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