O Benfica versão 2018 - Benfica de Krovinovic


          Quem diria que em Portugal poderia existir um jogador tão parecido a um dos melhores médios do mundo? Diria mesmo, o melhor médio do mundo para muitos! Sim, falo de Modric e Krovinovic. Uma representação hipotética para uma longa carreira que se pode augurar ao jovem croata.
       Pois é, parece claro que uma época de adaptação e, muitos minutos nas pernas depois foi o suficiente para uma adaptação feliz a uma cultura totalmente diferente daquela a que estava habituado. 
         Ainda no rescaldo de quarta-feira, no último derbi disputado entre Benfica e Sporting, o croata apareceu a falar em bom português dizendo "massacre", em relação ao que se tinha passado naquela partida. Na realidade, não poderia existir melhor termo para tudo aquilo a que se assistiu ao longo dos 90 minutos, no entanto, massacre só pode ser associado a golos e isso não aconteceu, infelizmente para os adeptos benfiquistas.
       O que faltou a este Benfica desde início? O que faltou ao TetraCampeão Nacional para não deixar uma imagem tão pálida na Europa?
          Muito se falou sobre falta de planeamento, falta de reforços ou mesmo reforços que não foram reforços, alguns para já, outros que nunca o serão... Muitos falaram de falhas do Treinador, do Presidente e até do Departamento Médico e do Departamento de Observação, mas a realidade é que tudo parece um conjunto de erros sucessivos que levaram a este desfecho que tem sido a época até ao momento.




      Alguns rumores dizem que a suposta alteração tática que tanto se falou no início de época, estaria a ser preparada já à algum tempo e que apenas algumas condicionantes realmente atrasaram a entrada em cena do novo sistema tático. Alguns poderão acreditar, outros como eu, talvez não acreditem tanto nessa versão da história. 
     Sobre mudanças, eu acredito que quando se tem de mudar é porque algo está mal e tem de ser rotinado rapidamente. Será fácil de explicar esta teoria e contrariá-la, dizendo que RV passou algum tempo a dedicar-se à afirmação de Filipe Augusto e, que se assim quisesse as alterações táticas teria resolvido o problema com a mudança para uma maior composição do meio-campo, algo que não sucedeu no imediato.
     Contudo, o tempo e algumas más opções viriam a dar-lhe razão nesta nova vida que o Benfica vem a ganhar aos poucos. Independentemente de tudo o que se venha a falar daqui para a frente em relação a todas estas alterações importa ressalvar que não será a mudança de sistema tático que irá resultar em algo novo, mas sim, as dinâmicas e os jogadores é que poderão alterar o que quer que seja que neste momento não está a resultar no Benfica. 
     É nesse sentido que a afirmação de Jardel no eixo da defesa, como se viu no derby em que conseguiu criar imensos desequilibrios vindo desde trás e superando a pressão ofensiva do adversário, torna-se essencial numa equipa em crescendo. O Defesa Central traz outra experiência, músculo e velocidade a uma defesa que estava carente de uma linha alta que permitisse pressionar mais próximo do meio campo defensivo adversário.
      O maior fulgor dos alas, permitem novas dinâmicas nos Encarnados. Grimaldo quando em forma, torna-se um jogador moderno e essencial em equipas que joguem um futebol mais apoiado. Explora de forma exímia o interior do terreno e alia à sua técnica, uma visão superior daquilo que se passa no terreno do jogo, em relação à maioria. No outro lado, André Almeida tem surpreendido pela consistência defensiva e por um maior à vontade no processo ofensivo, além de acrescentar a raça e os valores transmitidos pelo balneário benfiquista, como foi possível de assistir no último derbi, num lance bastante divulgado com Fábio Coentrão.


      A capacidade de Krovinovic em assumir o jogo mais vezes ajudando a desbloquear aquele que estava a ser um problema gravíssimo na 1ª fase de construção Encarnada, veio mudar até a forma como os adversários estavam a abordar os jogos com o TetraCampeão Nacional. O croata traz uma nova dinâmica ofensiva, criando desequilíbrios em transições rápidas sobre o lado esquerdo e envolvendo-se bastante bem com Grimaldo e Cervi, transformando-se num autêntico quebra-cabeças para as defesas contrárias. A sua capacidade de definição no último terço poderá vir a torná-lo um caso sério neste Liga e caso ganhe ainda mais confiança para assumir o futebol do Benfica, poderá vir a ser um dos principais jogadores deste Campeonato.
      Também uma das principais mudanças a que se assistiu nesta mudança para 2018 que nos trouxe 2 jogos, foi Cervi. O argentino tem estado imparável! Bastantes desequilíbrios por dentro e por fora, algo que complica quem está na marcação e em processo defensivo. A principal mudança mesmo, é o à vontade com que se encontra neste momento, não tendo medo de assumir e fintar o adversário, semeando o pânico entre quem o encontra pela frente! Cada vez mais parecido com Gaitan, diria...
      Com tudo isto, algumas mudanças foram feitas, mas têm sido os jogadores a desenvolver um novo protótipo para o futebol encarnado. É também notória que o miúdo Rúben Dias em conjunto com Jardel, permitem outro tipo de processo defensivo que o Capitão Luisão não permitia. E o miúdo tem sido uma bela surpresa, não? Veremos se não terá a oportunidade de brilhar no Mundial, continuando a este ritmo, porque não?!
      É preciso repensar a estratégia deste mercado de transferência e perceber onde se podem dar os tais retoques que a equipa tanto precisa. Um lateral direito e um avançado de outro estilo, seriam essenciais...
     Tirando tudo isso e numa opinião bastante própria, o que eu dava para ver Krovinovic e João Carvalho juntos. E Jonas... Que futebol que sairia desses pés!

Ricardo Carvalho

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