Ao contrário
dos jogadores de campo que podem muitas vezes fazer mais do que uma posição, e
se não jogarem a titulares podem entrar no decurso do jogo, o caso do Guarda-Redes
é muito mais peculiar e de difícil gestão. Só joga um, faz o jogo todo (se não
houver lesão ou expulsão) e costuma-se dizer que está por entre a espinha
dorsal de qualquer equipa, portanto, alterar de jogo para jogo não costuma ser
opção (pelas dinâmicas, confiança, etc.).
Hoje o meu
texto é para os que não são opção. Qual o seu papel? O que devem fazer? O que
devem ambicionar?
Antes de mais
acho importante diferenciar um contexto de Formação de um contexto Sénior,
usualmente associado a rendimento. Quero focar o aspecto rendimento mesmo
podendo ser o caso de parecer demasiado romântico quanto às palavras que vou
proferir (num mundo ideal…).
Não jogar
nunca é um caso de fácil gestão! Para ninguém! Ganhes milhões de euros ou ganhes
pouco ou nada. No caso do Guarda-Redes mais difícil é porque ser suplente
automaticamente é associado a não jogar. Já para não falar do terceiro Guarda-Redes
(normalmente conhecido como reserva).
Primeiro quero
começar pela construção do plantel. Tem de haver claramente um equilíbrio nos
Guarda-Redes. Sou da opinião que deve haver um titular que é referência e
depois pode haver algumas opções: ou ter dois suplentes que dêem garantias,
caso aconteça algo com o titular, ou ter um suplente com qualidade e deixar o
lugar de terceiro Guarda-Redes para um jovem da Formação ou nos primeiros anos
de Sénior (proveniente da Formação).
Como lidar com
o facto de se ser suplente? Antes de mais, perceber o seu lugar e o porquê de
ali estar. Saber que tudo pode acontecer e que a qualquer momento pode ser
chamado a intervir e para isso tem de trabalhar para se manter ao seu melhor
nível. Mais ainda, muitas equipas fazem uma gestão desse segundo Guarda-Redes,
levando-o a jogar nas Taças. Potenciar as suas qualidades e aproveitar para
corrigir alguns pontos menos fortes (sabendo as limitações de não jogar
regularmente e a importância que isso pode ter). Trabalhar para o colectivo,
ajudando a equipa nos treinos e em competição. Manter-se ao mais alto nível de
trabalho e entrega para obrigar o Guarda-Redes que joga regularmente a não
facilitar.
Quero
finalizar chamando a atenção para a importância de todos num grupo de trabalho.
Os Guarda-Redes também, tanto em treino específico como em treino integrado.
Ser suplente pode ser só um momento. Analisem as vossas ambições, a vossa
qualidade e o vosso espaço no grupo. Principalmente para os mais jovens, não
ser opção não quer dizer que não se é bom, quer dizer que há ainda um caminho a
percorrer e que tem de se preparar para o que vem depois. Numa época, não se é
opção, na seguinte já se pode ser. Numa primeira fase de campeonato não se é
opção e depois pode vir a ser.
Miguel Menezes
2 Comentários
Parabéns Amigo, este é um Artigo" Intemporal" passe o tempo que passar, será sempre "Actual", obrigado pela partilha.Forte abraço
ResponderEliminarObrigado pelo seu comentário e por nos acompanhar Sr. Américo. Haverá sempre os que jogam e os que não jogam, até isso mudar será sempre "intemporal". Cumprimentos.
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